Novo ciclo de alta dos juros fica para o próximo governo
Não há dúvidas no mercado financeiro sobre o rumo da taxa básica de juros da economia na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC). Entre os analistas, há consenso de que pela segunda vez consecutiva a decisão dos diretores do BC será pela manutenção da Selic em 10,75% ao ano. O mesmo não acontece, porém, quando se trata de definir quando a autoridade monetária voltará a elevar os juros. As apostas variam entre o primeiro trimestre do ano que vem e o início do segundo semestre.
Para o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa, o cenário atual justifica a manutenção. “O BC tem dado sinais de que está satisfeito com a inflação. A taxa de 10,75% é suficiente para convergir a inflação para a meta do governo”, avalia.
Cristiano Souza, economista do Santander, espera também a manutenção da Selic, uma vez que o BC, em seu último Relatório de Inflação, divulgado no final de setembro, indicava que a aceleração da inflação não seria uma ameaça. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), utilizado como parâmetro no sistema de metas de inflação, passou de 0,04% em agosto para 0,45%, sob forte influência dos alimentos. “Acreditamos em manutenção até o final do ano. Mas no ano que vem, logo no primeiro trimestre, o BC já deve retornar o ciclo de aperto monetário”, espera.
Essa elevação será necessária, segundo o economista, porque com o aquecimento da atividade econômica, puxada pela demanda interna, as expectativas de inflação devem parar de convergir para a meta , o que exigirá do BC alguma ação para conter a elevação dos preços. A expectativa do Santander é que no final do ano que vem a Selic chegue a 13%. Para Souza, essa taxa não deverá impedir o crescimento da economia, lembrando ainda que no período recente a taxa de juros já superou esse patamar. No último trimestre de 2008, a Selic estava em 13,75%.
No Banco Fator, a expectativa também é de manutenção em 10,75% até o final do ano e uma elevação da Selic já no primeiro trimestre de 2011. Isso porque a convergência da inflação para a meta poderia ocorrer ou com ajuste fiscal ou por uma pressão deflacionária proveniente do cenário externo. Essas duas possibilidades são pouco prováveis, segundo a economista Maristella Ansanelli.
Apesar de um cenário incerto para o ano que vem, André Perfeito, economista da Gradual Corretora, acredita que uma alta nos juros agora teria pouca influência nos preços no curto prazo. “O regime de chuvas no mundo todo pressionou a alta dos alimentos. Contra isso, o BC não tem muito o que fazer”.
A decisão de manter a Selic em10,75% neste ano também é dada como certeira pelo economista- chefe do ABC Brasil, Luis Otávio Leal. “Acredito que até o meio do ano que vem o BC não vai subir juros.”
Um dos fatores para o BC demorar mais para fazer o ajuste fiscal, na avaliação de Leal, é que o excesso de liquidez no mundo tem contribuído para manter os preços sob controle no Brasil, e que esse cenário deve continuar, uma vez que as principais economias continuarão a dar estímulos com o objetivo de estimular a atividade econômica.
A ideia é compartilhada por Samy Dana, professor da Fundação Getúlio Vargas, para quem a conjuntura doméstica aliada ao arrefecimento da atividade econômica no exterior subsidiam essa decisão.
HISTÓRICO
A mais baixa taxa nominal de juros (Selic) da série histórica, de 8,75% ao ano, vigorou de 22 de julho de 2009 a 8 de abril de 2010.
A taxa mais alta, 45% ao ano, foi decidida pelo Copom na reunião de 14 de março de 1999, auge da crise cambial brasileira.
Fonte: Brasil Econômico
